[Plantão Esparadrapo] O que você faz, quando não há nada o que fazer?
Publicado em 12 de fevereiro de 2026

Em alguns hospitais, atuamos em áreas um tanto quanto delicadas. UTI Pediátrica, Unidade de Queimados, Oncologia, Hemodiálise, UTI Adulto, enfim. Sei que todos que estão no hospital inspiram cuidados, mas nesses lugares o cuidado é redobrado.
Por mais que haja empatia, compreensão, cumplicidade na relação, e muitas histórias vividas, é impossível vivenciarmos aquilo que o outro vive ou sente. Podemos até imaginar, procurar sentir, mas ainda assim, será somente a nossa maneira de interpretar.
Um dia desses, estivemos na UTI Pediátrica, muita movimentação, sentimos um clima tenso, para além do habitual, algo não parecia estar bem. Pedimos licença e entramos. Lá no fundo do salão, uma mãe e sua filha quiseram nossa presença, nos chamando para o leito.
Uma consulta breve no posto de enfermagem, nos autorizaram. Com relação a nossa primeira impressão, estávamos certos, havia um caso bem grave com uma menininha que acabara de chegar, 1 ano e alguns meses de idade, família desesperada, profissionais correndo pra lá e para cá.
Fizemos a visita à família que nos chamou, brincamos com a criança, foi divertido. Eles estão lá mas não percebem o que está acontecendo, os profissionais tomam muito cuidado para não espalhar problemas diversos pelo ambiente. Nosso ouvido atento ao ambiente, procurando sons ou movimentações que se acontecessem, sairíamos dali.
Finalizamos a interação, saímos da UTI, rumo à UTQ (Unidade de Queimados), ouvimos o grito da mãe. Parada cardíaca, médicos e enfermagem correndo para socorrer. Deu certo! Conseguiram reverter o quadro. O hospital também é o lugar dos milagres, das reviravoltas, do inesperado. Muita gente preparada para ajudar, profissionais dedicados, gente do bem.
Nesta hora a palhaçaria se recolhe, compreendemos que o nosso lugar é outro. Já ouvimos bons feedbacks por isso, por perceberem que a gente sabe entrar e sair dos lugares sem afetar a rotina de quem trabalha lá. Os horários e os procedimentos devem ser respeitados, principalmente por quem é de fora, esse é o nosso lema.
Fomos embora, coração apertado, procurando respirar e se conformar que seu papel é viver o lúdico, a surpresa da brincadeira, o inusitado da sua presença como transformador de ambientes. Aos médicos e enfermagem em geral, a técnica apurada para prevenções, salvamentos, cuidados em geral. Cada um na sua área, promovendo o que há de melhor em prol da vida.
Artista: Tiago Abad
Palhaço: Cirurgião Acerola
Cidade: Limeira-SP
Hospitais: Hospital Santa Casa de Limeira
Mês: janeiro – 2026